O nome que os europeus davam as regiões do Oriente revela como o velho continente via o mundo longo antes da globalização e das atuais conexões.
O que eram as “Indias” para os europeus?
Para os navegadores portugueses e espanhóis dos séculos quinhentos, o termo Indias ou Índias Orientais abrangia praticamente todo o extremo Oriente: desde as costas da Índia e do Sri Lanka até as ilhas do arquipélago indonésio e, em alguns mapas, chegando inclusive à China. Essa denominação refletia a visão de que se tratava de regiões “orientais” em relação à Europa, ou seja, para o nascer do sol, e não necessariamente ao fato de estarem próximas da Índia propriamente dita.
Outras designações: “Malaca”, “Taprobana” e “Catayo”
Além de Indias, os cronistas e cartógrafos europeus recorriam a outras palavras para delimitar regiões específicas do Oriente.
- Malaca ou Molucca: referia-se ao arquipélago das Molucas, famoso pelas ilhas-da-fragrância.
- Taprobana: nome antigo que aparecia em mapas para o Sri Lanka.
- Catayo: termo usado para designar o Extremo Oriente, incluindo a China e o Japão, muitas vezes associado a riquezas e exotismo.
Essas palavras ajudavam a delimitar, ainda que de forma imprecisa, as terras mais distantes que os europeus sonhavam em encontrar ou com as quais já havia contato mercantil.
O “Oriente” como conceito geográfico e cultural
O nome que os europeus davam as regiões do Oriente não era apenas uma etiqueta geográfica, mas carregava todo um peso cultural e religioso. Dentro desse conceito, incluíam-se não apenas os reinos hindus e budistas, mas também o mítico Império do Preto-cristão e, mais tarde, as terras do xitão e do grande xá do Tartaros, mostrando como o desconhecimento alimentava narrativas cheias de mistério e desejo de riquezas.
Influência no comércio e na navegação
A busca por acesso direto às terras produtores de especiarias determinou rotas que definiram o comério global. Quando os portugueses chegaram a Cabo da Boa Esperança e começaram a navegar pelo Oceano Índico, estavam, na prática, transformando o nome que os europeus davam as regiões do Oriente em rotas comerciais reais, rompendo o monopólio árabe e italiano.
Os contratos de concessão de terras, como os da Ilha de Moçambique ou de Malaca, surgiam justamente para garantir o controle sobre essas rotas recém-descobertas para o comércio de especiarias, sedas e outros bens valiosos do Oriente.
Legado e transformação dos nomes
Com o avanço da cartografia e o maior contato cultural, o nome que os europeus davam as regiões do Oriente foi sendo substituído por denominações mais precisas, herdadas de reinos e imperios reais. Termos como “Extremo Oriente” surgiram no século xix, especialmente entre os franceses, para delimitar a região mais à direita do continente asiático, incluindo o Japão e a Coreia.
Hoje, essas palavras soam exóticas ou mesmo racistas, mas foram fundamentais para moldar a compreensão europeia sobre a vastidão e a riqueza do mundo além dos mares.
Conclusão
O estudo do nome que os europeus davam as regiões do Oriente é um convite a perceber como a geografia é construída a partir de perspectivas históricas, cheias de sonhos, erros e descobertas que moldaram o mundo como o conhecemos.